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Estratégia de internacionalização para PME: como vender a culturas diferentes

Written by Fernando Coimbra Lopes | 18/07/16, 10:29

Muitas PME portuguesas internacionalizam-se da mesma forma: traduzem o site para inglês, vão a duas ou três feiras e esperam que os distribuidores apareçam. Às vezes funciona. Mais vezes, a empresa descobre que o que convence um comprador alemão não convence um francês, que o site traduzido não aparece nas pesquisas locais e que os contactos das feiras se perdem a meio do caminho.

Resposta rápida: uma estratégia de internacionalização para uma PME B2B assenta em cinco decisões: escolher poucos mercados, com base em onde o produto tem vantagem e onde já há clientes parecidos; definir o cliente ideal em cada um; adaptar a mensagem, o site e o conteúdo à língua e à cultura de cada mercado (não só traduzir); escolher a forma de chegar aos compradores (feiras, prospecção dirigida, parceiros ou distribuidores); e gerir tudo num só CRM, com pipeline e resultados por país. A cultura pesa mais do que parece: muda a forma de decidir, o ritmo da venda e o tom que inspira confiança.

Como escolher os mercados de exportação?

  • Onde já tem clientes ou pedidos. São a melhor prova de que o produto serve aquele mercado.
  • Onde o produto tem vantagem clara sobre os concorrentes locais: preço, qualidade, prazo, especialização.
  • Onde consegue servir bem: logística, suporte, língua, fuso horário, regulamentação.
  • Quantos ao mesmo tempo: com uma equipa comercial pequena, um ou dois de cada vez. Abrir cinco mercados em paralelo dilui o esforço e não deixa perceber o que funciona.

Os passos para validar um país estão em como entrar num mercado de exportação novo sem clientes instalados.

Porque é que a cultura do mercado muda a forma de vender?

Duas referências ajudam a pensar nisto. As dimensões culturais de Geert Hofstede comparam países em seis escalas: distância ao poder, individualismo versus colectivismo, masculinidade versus feminilidade, aversão à incerteza, orientação de longo prazo e indulgência versus contenção. A teoria de Edward T. Hall distingue culturas de baixo contexto, onde a mensagem é directa e explícita, de culturas de alto contexto, onde a relação e o que fica por dizer pesam mais.

Diferença culturalO que muda na venda B2B
Distância ao poder altaA decisão sobe na hierarquia; é preciso chegar a quem manda, e com o cargo certo do seu lado
Aversão à incerteza altaO comprador quer certificados, garantias, referências locais e documentação técnica completa antes de avançar
ColectivismoDecisões em grupo, mais pessoas envolvidas, ciclo mais longo
Orientação de longo prazoRelações construídas ao longo de anos; pressionar para fechar depressa prejudica
Cultura de alto contextoA relação pessoal e as reuniões presenciais contam mais do que o email
Cultura de baixo contextoMensagens directas, propostas claras, factos e números à frente

A ferramenta de comparação de países de Hofstede, disponível online, mostra rapidamente onde o mercado-alvo difere de Portugal. Use-a como ponto de partida, não como regra: dentro de cada país, sector e empresa também contam.

Como adaptar o site e o conteúdo a cada mercado?

  1. Localizar, não só traduzir. Termos técnicos, unidades, normas, moeda e exemplos do próprio mercado. Uma tradução literal nota-se e tira credibilidade.
  2. Uma versão por língua, com endereço próprio, para que o Google e os motores de IA mostrem a versão certa a cada comprador.
  3. Responder às perguntas de cada mercado. O que um comprador pergunta antes de importar (certificações, prazos, incoterms, assistência local) é o melhor conteúdo para ser encontrado e citado nas respostas da IA.
  4. Provas locais. Um cliente no mesmo país vale mais do que dez noutros mercados.

Como chegar aos compradores lá fora?

ViaQuando funcionaCuidado
FeirasSectores onde o comprador quer ver o produtoCaras; só rendem com reuniões marcadas antes e seguimento rápido. Explicámos como calcular o ROI de uma feira.
Prospecção dirigidaMercados onde dá para listar as empresas-alvoExige lista curta, idioma do mercado e motivo concreto. Veja o guia de prospecção B2B.
Distribuidores e parceirosMercados grandes ou com regulamentação complexaPerde-se contacto directo com o cliente final se não houver acompanhamento
Conteúdo e pesquisaCompradores que pesquisam online antes de contactarDemora meses a dar resultado em cada língua

Para empresas de software, o caminho é diferente: explicámos em exportar software B2B com prospecção dirigida.

Como medir a internacionalização?

Com um só CRM para todos os mercados. Cada empresa e cada negócio com o país registado, cada contacto com a origem (feira, prospecção, distribuidor, site) e um pipeline de vendas que se pode ver por mercado. Ao fim de cada trimestre, a pergunta é simples: em que mercado cada euro gasto está a gerar mais reuniões com decisores e mais negócios? Explicámos como fazer estas contas em custo de aquisição de clientes por canal.

E a inteligência artificial, ajuda a exportar?

Ajuda bastante em três coisas: pesquisar empresas-alvo em mercados que a equipa não conhece, preparar contactos na língua do mercado para um comercial rever, e responder a clientes de outros fusos horários fora de horas. Mas não substitui a escolha do mercado nem a relação com o cliente, e só funciona com dados organizados. Sem as bases, um agente de IA só acelera o caos. Explicámos o resto em IA nas vendas da indústria.

Onde entra o Programa SINTONIA?

A internacionalização segue a mesma ordem que qualquer crescimento comercial: arrumar a casa (mercados escolhidos, cliente ideal por país, contactos e negócios num só CRM), criar sincronia (marketing, vendas e distribuidores a ver o mesmo historial de cada conta) e só então amplificar com IA. Explicamos como o fazemos em implementação HubSpot para a indústria. Quando a equipa não tem tempo para prospectar lá fora, o serviço Reuniões com Quem Interessa da NHo opera a prospecção por mercado, com agentes de IA e revisão humana.

Perguntas frequentes

Por que mercado deve uma PME começar a exportar?

Pelo mercado onde já tem clientes ou pedidos, e onde consegue servir bem. Para muitas PME portuguesas, Espanha e França são o primeiro passo, mas a escolha deve vir dos dados da própria empresa, não da proximidade.

Basta traduzir o site para inglês?

Raramente. Em muitos mercados europeus, os compradores pesquisam e decidem na própria língua. Uma versão localizada para cada mercado prioritário rende mais do que uma versão genérica em inglês.

Feiras ou prospecção para entrar num mercado novo?

Muitas vezes as duas: prospecção dirigida para marcar reuniões antes da feira, feira para as fazer cara a cara, e seguimento no CRM logo a seguir.

Quanto tempo demora a entrar num mercado novo?

Em vendas industriais B2B, conte com seis a doze meses até aos primeiros negócios. As primeiras reuniões com decisores devem aparecer nos primeiros três meses; se não aparecerem, a lista, a mensagem ou o mercado precisam de ser revistos.

O que pode fazer hoje

Liste os mercados onde vende hoje e, ao lado de cada um, quantos clientes tem, como chegaram e quanto facturaram no último ano. Os dois mercados no topo dessa lista são, quase sempre, por onde deve continuar.

Se quiser fazer este exercício com quem implementa CRM em empresas exportadoras desde 1997, agende o Diagnóstico Gratuito de 45 minutos. É o primeiro passo do Programa SINTONIA.